Minha terra têm fome e não têm fubá
as pessoas que aqui sofrem,
voam pra São Paulo feito sabiá.
As crianças barrigudas de comer terra,
aqui têm que trabalhar,
puxar terra, levar baldes...
é sorrir para não chorar.
Nossos bosques são de barro,
nossas mãos cheias de calos,
nossa vida têm mais ardores.
Nossos céus não caem chuvas,
nossos bois não tem mais matos,
nossa gente não tem água,
mas nossos bichos carrapatos.
Não permita meu Deus, que eu morra
e nem que meu povo morra
de fome, de cansaço, de tanto suportar.
Que alguém socorra, e veja o nosso penar,
minha terra não têm árvores, muito menos sabiá.


